RESENHA: Fisheye - Kamile Girão

Olá Maria, tudo bem com vocês?  
Bom, o post de hoje é super especial por 2 motivos: o primeiro é que se trata de uma resenha literária, e o segundo, é por que o livro é de uma autora nacional e ela é parceira do blog (em breve teremos mais posts sobre). Então já pega seu caderninho pra anotar esse livro na sua wishlist, por que com certeza é um livro MARAVILHOSO!
imagem retirada da pagina do livro no Catarse
Sinopse:
" “Meus olhos são como canudos, Mick, só me permitem enxergar por um buraquinho. E com o tempo, a abertura deles vai diminuir muito, até que a fenda deixe de existir.”
Aos dezesseis anos, Ravena Sombra descobre que não é perfeita: após um acidente numa festa, ela é diagnosticada com retinose pigmentar, uma doença sem cura que degenerará a sua visão gradativamente.
Com o mundo pelo avesso, a adolescente inicia sua jornada em busca do amadurecimento e da superação, numa narrativa intimista à procura de se entender e de se descobrir. Ao longo do caminho, contará com a ajuda do melhor amigo de infância, da sua implicante e carismática irmã, de uma velha polaroid com nome de música dos Beatles e de um violinista cuja pele é marcada por cicatrizes e os olhos de um azul infinito como o céu.
No meio de tanto caos, Ravena vai entender que crescer não é um processo fácil e que sim há beleza em enxergar o mundo do seu jeito peculiar e especial. "

E mais uma vez eu me vejo na saga de não conseguir engatar a leitura de uma vez, e o motivo dessa vez é que eu não consegui ter nenhuma sincronia com a personagem principal logo de início. A Ravena do começo do livro foi alguém que eu realmente não gostei. Achei a personagem um tanto nojentinha. Tanto a personalidade dela e a forma como ela tratava até mesmo as pessoas mais próximas e as coisas ao seu redor eram bem intragáveis pra mim, e com toda a certeza do mundo, eu tive muita raiva dela.  Mas resolvi insistir no livro, e juro pra vocês que não me arrependi. Devo ter demorado uns 4 dias pra sair dos 3 primeiros capítulos, mas daí que certo dia resolvi que era a hora de acabar com a enrolação e terminar o livro. Uma ótima surpresa é que terminei no mesmo dia, por que o livro fluiu maravilhosamente bem.

Daí que você pode estar se perguntando o que de tão bom aconteceu, numa história que já tem uma sinopse "tensa" e que eu comecei com o pé esquerdo, certo? Temos uma autora e uma história, e os dois juntos fizeram uma coisa incrível chamada "evolução", tanto de personagem como da história em si, e muitos autores deveriam conhecer isso... faz um bem danado pro seu livro. 

Ravena, nossa personagem principal começou a desabrochar, e junto com ela veio um enredo totalmente envolvente que não deixa você largar o livro. Da raiva que sentia por ela, comecei a ter empatia, compaixão e quis até mesmo ser amiga daquela pessoa/personagem que eu odiei. E não só com a Ravena, mas vários outros personagens nos proporcionam um mix de sentimentos muito bom, a Kamile deu uma evolução a todos os personagens que precisavam ter. Porém, acho que um detalhe ou outro poderia ter aparecido melhor na história, do que a forma como apareceu, entretanto, não é nada gigantesco.

Imagem retirada do site da autora (aqui)

Os personagens principais estão entre 16 e 21 anos, ou seja, aquela idade bem chata que não sabemos direito se somos adultos ou adolescentes... E é ai que alguns autores dão uma escorregada, dando aos personagens um vocabulário muito mais formal ou menos informal do que realmente nós usamos, e isso, pelo menos pra mim, dá uma sensação de distanciamento do personagem. Aqui eu já percebi algo totalmente diferente, a Ravena é uma menina de classe média/classe média alta, mas apesar disso é uma adolescente e que fala como uma adolescente, mas bem de acordo com o meio que ela vive. As gírias e o modo como ela fala e se porta, não são nem a mais nem a menos do que o devido. Claro, com o amadurecimento dela no decorrer do livro algumas atitudes mudam, mas ela não perde a essência dela, ela não se torna uma moça dos anos 20.

Quanto a descrição do local e dos personagens, fiquei bem satisfeita. Do local, ficou bem claro pra mim que a história se passa em Fortaleza (ou pelo menos está MUITO inspirado na cidade), e pelas descrições dos locais que a Ravena ia passando, notei também quais pontos da cidade eram aqueles. E gostaria de confessar que fiquei muito feliz, por que essa localização que ela fez me aproximou ainda mais da Ravena. Pra quem não é de Fortaleza, não se preocupe, vocês vão conseguir imaginar tudo direitinho por que ela da os detalhes necessários pra que você possa apenas completar com a sua carga cultural, mas pra quem é daqui, é uma conexão a mais com o livro. Já a descrição dos personagens, talvez tenham ficado faltando uma elaboração maior de um ou outro, que apareceram mais pro final. Mas dos primeiros personagens, você vai ganhando detalhes deles no decorrer do livro, completando os de "primeira impressão". 

O nome do livro, para quem não sabe ou não conseguiu fazer a ligação, é inspirado em uma câmera analógica muito fofa que carrega o mesmo nome do livro. E a Ravena tem uma ligação muito forte com fotografia analógica desde a infância, mas ela só é apresentada a esse outro estilo de câmeras analógica, as lomos (tem post no blog sobre), depois de descobrir a sua doença. E tanto a Ravena, como eu e a própria autora, temos essa paixão em comum. 

A Raventa é totalmente old scool, os gostos musicais dela são de bandas de rock antigas, ela gosta de filmes antigos, de fotografias antigas - o livro tem muitas referências. Mas ao mesmo tempo ela tem que esconder tudo isso por vergonha, pra manter um status que no final, nem fez mais diferença pra ela. E acho que é outra grande lição que o livro trás pra gente - além de todas as outras que vocês vão descobrir quando lerem - é que não adiantar esconder quem realmente você é, por que uma hora ou outra isso vai te fazer falta. E no meio disso tudo, da doença, de tretas familiares ela se redescobre...encontra novas amizades, novos amores e um grande amor (Love u Dan <3), e é tudo tão encantador e natural.


Imagem retirada do site da autora (aqui)

Enfim, Fisheye é realmente um livro muito lindo. E digo isso não só pela questão estética ou de teor de escrita, mas das lições que ele trás. Tem romance, tem amizade, tem traição, tem auto-descoberta, perdão... É uma historia completa, com desfecho perfeito. Mas eu gostaria de um spin-off? Claro que sim!  E eu realmente fico muito feliz de ler algo tão bom, e poder dizer que é uma autora nacional sim!

Espero que todos vocês leiam, e me contem o que acharam do livro. Ah, e me contem também o que acharam da resenha.

Um super beijo, e até o próximo!  

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